[ENTREVISTA] Rafaello Trator Oliveira treina forte, sente falta da família e mira UFC

[ENTREVISTA] Rafaello Trator Oliveira treina forte, sente falta da família e mira UFC

Rafaello Tractor Oliveira é mais um dos brasileiros talentosos no MMA, que buscam por uma afirmação no cenário mundial. Diferente dos grandes nomes como Anderson Silva e Minotauro, que já conquistaram espaço garantido e fama mundial, ele ainda batalha para ter um lugar ao sol e, neste momento, para voltar ao octógono mais famoso do mundo.

E como em qualquer outro esporte, a vida de atleta é difícil. Priva de grandes prazeres, afasta da família e torna o atleta muito mais voltado para sua prática do que qualquer outro trabalhador normal. E justamente por isso, a vida de Rafaello é dura. Muito treino e pouco tempo para curtição: tudo pelo topo.

“É uma busca [pelo topo] muito difícil, cheia de obstáculos com altos e baixos, tendo uma vida muito regrada cheia de abstinências, treinando todos os dias, procurando sempre manter o peso que é uma coisa difícil. Você sempre está de dieta, fica ausente da família muitas vezes para treinar. A todo tempo, luto psicologicamente comigo próprio por que muitas vezes você está cansado, machucado, não quer ir treinar mas, se quer estar entre os tops, não tem outra alternativa, você tem que treinar”, desabafa o lutador.

ESPECIAL: TUDO SOBRE O UFC E O MUNDO DO MMA

Rafaello é um dos nomes que podem despontar entre os leves no MMA. Em sua última luta, perdeu de Andre Winner no UFC Fight Night 21. No aspecto mundial, ele tem como principais adversários para o topo grandes nomes como BJ Penn, Kenny Florian e Frank Edgard, sem contar o seu compatriota José Aldo, atualmente no WEC, mas com planos de subir de categoria.

Confira a entrevista completa com Rafaello Tractor Oliveira. Ele explica que é impossível ganhar a vida com o MMA no Brasil, e, mesmo nos EUA, ainda precisa dar aulas para pagar todas as contas. Ele também conta como tem sido seus treinamentos e sua busca pelo topo e por mais um lugar ao sol no UFC.

Abril.com – Neste momento você está treinando onde e com quem?
Rafaello –
No momento estou treinando onde moro em Knoxville, no Tenesse, nos Estados Unidos. Duas vezes na semana, eu treino jiu-jitsu com Samuel Braga, que já foi hexacampeão mundial. Além disso, visito outras academias de MMA buscando sempre bons sparrings.

O que você mais precisa treinar?
Rafaello
– Hoje em dia foco muito a parte de trocação, boxe e Muay Thai, pois hoje a luta está se definindo mais nesse fundamento. O público em geral também prefere mais a trocação.

Como analisa a sua categoria? Quem são os melhores? Quem são os novos talentos que devemos ficar de olho?
Rafaello –
É uma das categorias mais disputadas, muito competitiva e muito difícil por ter um grande número de atletas nesse peso. Os melhores que acho são BJ Penn, Frank Edgar, Gilbert Melendez e o Kenny Florian. Quanto aos novos talentos, acho que o Aaron Person tá chegando forte e o Jimmy Miller que está consolidando cada vez mais o seu nome já com 6 vitórias no UFC.

Quais são os próximos passos na carreira? Ainda vai voltar ao UFC, certo?
Rafaello –
O próximo passo é sempre estar buscando melhorar em todos os aspectos do MMA. Assim, estarei pronto pra próxima batalha que ainda não tem data prevista. Voltar ao UFC? Com certeza!!! Vou trabalhar duro para que isso aconteça logo, logo.

Já vi uma entrevista sua, onde você diz que é importante o UFC ter concorrentes. Qual motivo? Além do Strikeforce, em quem apostar?
Rafaello –
Nos EUA quem está chegando forte é o Strikeforce e no Japão o Dream. O negócio é torcer que cada vez mais novos eventos se consolidem no mercado do MMA, para acabar com a monopolização do UFC, aumentando a oferta de trabalho para todos os lutadores.

Mas não tem como negar que todo mundo quer ir para o UFC, certo?
Rafaello –
Sim, é o sonho de todos os lutadores, pois o UFC é um grande evento e sinônimo de MMA aqui nos EUA. Um evento muito profissional, que trata bem todos os lutadores, quem sai quer voltar, quem nunca lutou quer estar lá e quem está não quer sair e com certeza, fazer nome no UFC é fazer o nome no mercado mundial.

Você é um cara que ainda batalha para marcar o nome no MMA, e ainda não está entre os tops. Como é essa busca pelo topo?
Rafaello –
É uma busca [pelo topo] muito difícil, cheia de obstáculos com altos e baixos, tendo uma vida muito regrada cheia de abstinências, treinando todos os dias, procurando sempre manter o peso que é uma coisa difícil. Você sempre está de dieta, fica ausente da família muitas vezes para treinar. A todo tempo, luto psicologicamente comigo próprio por que muitas vezes você está cansado, machucado, não quer ir treinar mas, se quer estar entre os tops, não tem outra alternativa, você tem que treinar.

Voltando lá atrás. Como foi seu começo no esporte?
Rafaello
– Comecei treinando JJ aos 16 anos. Fiquei fascinado pelo esporte e, como sempre fui um cara muito competitivo, passei a me dedicar mais aos treinos do que aos estudos durante uma época. Como resultado disso, acabei me destacando no JJ. Foi aí que recebi uma proposta pra lutar MMA em Pernambuco. Aceitei e ganhei na estreia contra um cara duro, então decidi naquela noite que era aquilo que eu queria pra minha vida: viver desse esporte fascinante que é o MMA. E estou aqui até hoje.

Muita gente diz que o MMA não paga tão bem quanto falam. Dá para viver só da luta mesmo sem o reconhecimento mundial?
Rafaello
– No Brasil é quase impossível viver do esporte, pois não tem valorização, reconhecimento e nem conhecimento do que é MMA. Nos EUA, o MMA é um esporte em ascensão, valorizado, tem reconhecimento da mídia, do público, o que torna as bolsas salariais melhores, porém não é suficiente quando você tem uma família pra dar suporte. Então, no meu caso, tenho um trabalho regular dando aulas de JJ e as bolsas das lutas dão um “plus” no meu orçamento.

O que falta, na sua opinião, para que o Brasil reconheça tantos talentos que têm no MMA? O futebol é o grande “adversário”?
Rafaello –
A principal ferramenta que temos pra divulgação é a mídia, então, acho que precisamos desse suporte, precisamos da mídia como maior parceiro nessa batalha de reconhecimento e conhecimento do que é o MMA no nosso país. Por meio disso, o público saberá que no nosso país possui grandes talentos não só no futebol. Claro que o futebol é uma questão cultural, sabemos o que é futebol no Brasil desde que nascemos, está no sangue do brasileiro. Mas não o vejo como adversário, só acho que temos mais a falar no esporte do que só futebol.