JC lança série sobre MMA no interior

O Jornal do Commercio apresenta a série "Interior casca-grossa", deste domingo (10) até a próxima quarta-feira, em suas versões impressa e online (www.jconline.com.br). A reportagem vai mostrar como a Zona da Mata e o Agreste se transformaram nos principais palcos do MMA de Pernambuco, tendo como influência o gigante UFC. o evento norte-americano que completa 20 anos no próximo dia 12 e que reúne os atletas de elite da modalidade no mundo.

 

Tanto na versão impressa como na online, a série vai tratar dos sonhos dos lutadores, do comportamento do público, dos improvisos dos eventos, dos riscos de morte que correm os atletas e de pessoas que se transformaram em personagens importantes nos campeonatos apesar de não distribuírem socos e pontapés dentro do octógono. As reportagens são do jornalista Alexandre Arditti, do Jornal do Commercio e do programa Nocaute. A edição de vídeo é de Caio Lacerda, enquanto que as fotos e as imagens são de Alexandre Gondim.

 

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Mestre dos Mestres, Rilion Gracie filho do criador Gracie Jiu Jitsu em Seminário pela primeira vez em Recife

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Rilion Gracie é o filho mais jovem do Grande Mestre Carlos Gracie Sr., fundador do Gracie Jiu Jitsu.

Nasceu em 1963, no Rio de Janeiro, e cresceu ao lado de seus irmãos e primos, vivendo o Jiu-Jitsu intensamente desde a infância.

Sob a influência de seu pai, Carlos Gracie Sr., seu irmão Rolls (considerado um dos principais responsáveis pela modernização do Jiu Jitsu) e seu tio Hélio, começou a competir muito cedo.

Nunca foi derrotado durante uma luta oficial. Aprimorou a técnica de guarda, o que o fez ser considerado como “o melhor guard player da família Gracie” por seu primo Rickson Gracie.

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Em 1990, Rilion estabeleceu academia em Florianópolis e, depois, em Curitiba. Há alguns anos, mudou-se para os Estados Unidos.

Hoje, suas academias estão presentes em três continentes, e Rilion Gracie é reconhecido no esporte como “o mais técnico dos mestres de Jiu-Jitsu”
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Pela primeira vez no Nordeste do Brasil, o filho do criador Gracie Jiu Jitsu, Rilion Gracie em um grande seminário para todos amantes das lutas. A maior oportunidade de treinar as técnicas que consagrou a família mais famosa das artes marciais.

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Mais informações:

Recife, dia 17 de Novembro, na Santé Club em Boa Viagem.
81 9917.1966 (claro)
contato@mmabrazucas.com
100 Vagas

Cronograma

  • 9h às 10h30 fundamental
  • 10h30 às 12h avançado

Valor

  • R$100,00 até 12 de Novembro

Copa Fight Pro de Jiu-jitsu - FOTOS

Rolou em Recife-PE nos dia 14 e 15 de Setembro de 2013 a 2ª Etapa da Copa Fight Pro Norte/Nordeste de Jiu-Jitsu. O evento que veio desta vez com uma estrutura muito boa e com uma  organização excelente, e o principal, ótimas lutas da faixa branca até a faixa preta. Os principais destaque dessa edição foram na faixa preta, Jollyson Francino da academia Nova União, que foi campeão do categoria (Pesadíssimo) e Absoluto levando pra casa uma boa bagatela em dinheiro, mais kit de suplementos (Loja Mundo das Vitaminas), mais kit de Roupas (Rota do Mar), Já na faixa marrom O destaque foi Breno Novaes da Nova União, que foi campeão da categoria e do Absoluto, fazendo uma final eletrizante no absoluto com Jr. Pezão da GFTeam e acirrando mais a disputas entre os dois. Já na faixa roxa o grande destaque da Competição foi a atleta da Check Matt Felipe Andrew, que finalizou todas as lutas, na sua temível chave de pé pra faturar categoria e absoluto me sua faixa, na faixa azul destaque pra galera da equipe Kimura/Nova União que fecharam o Absoluto faixa azul, na faixa Branca o destaque foi Jorge Henrique da Nova União que faturou o prêmio em dinheiro mais o kits pra sua coleção. Outros destaques foram para Renato Castro da GFTeam, que faturou a categoria e Absoluto na faixa Preta, e no feminino Letícia Cristina da Check Matt que faturou categoria e Absoluto seguido por Andreza Muniz da Nova União que fez bonitos nas mesma

categorias, também rolou as categorias juvenis com faixas brancas e azuiz, e a molecada deu show de lutas. No final de tudo as equipes que ficaram no lugar mais alto do pódio foram a GFTeam em 1º lugar, a Nova União/Kimura em 2º lugar, e a Check Matt em 3º lugar.

“O evento aconteceu na quadra do colégio Contato, e tudo ocorreu como planejado, desde as lutas que foram de alto nível, ao respeito dos atletas e público presente.

A organizaçao do evento: "Queria agradecer desde já à todas as equipes e atletas que participaram, e destacar O RESPEITO dos atletas e público em um evento de jiu-jitsu no nosso estado, foi a primeira vez que vi um evento aqui e quem ninguém tentou invadir as áreas de lutas, e olha que tivemos um problema com os seguranças e eles não puderam ir. O evento foi super organizado, não deixando a desejar a nenhum outro evento em qualidade e organização, No Sábado adiantamos o cronograma, e no Domingo cumprimos à risca o horário. Venho aqui agradecer desde já todos os patrocinadores, AVP fisioterapia especializada, SGS Impressão Digital, Black Bull Fight Wear, Sankaku Fight Fittnes, Academia Via Forma, Movimente-se Funcional Training, Loja Mundo das Vitaminas, Colégio Contato, Fregells, Riclan, Criarte Gráfica e Editora, Ponto do Açai e ao MMA Brazucas pela parceria de sempre e cobrindo os melhores eventos de lutas da região, fizemos um bom marketing de todas as marcas que nos apoiaram, desde a divulgação no evento à propagada física no local. E fica aqui a data da próxima etapa, no dias 23 e 24 de Novembro de 2013. Preparem-se porque recife vai pegar fogo, e muitas novidades virão, desde a inscrição até os prêmios” falou Fernando Bruno (Boca) um dos diretores do evento.

Galera, as fotos da Copa Fight Pro de Jiu-jitsu estão sendo disponibilizadas aos poucos na Fanpage da VICIADO EM TATAME (www.facebook.com/viciadoemtatamefightwear), lá você encontra um link das fotos publicadas no picasa, basta clicar no link e ter acesso total as fotos, aproveita e curte a Fanpage da Viciado em Tatame, o verdadeiro vicio do atleta.

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Fight Pro Open - Fotos

Rolou nos dias 14 e 15 de setembro, na quadra do Colégio Contato na cidade de Recife/PE a Copa Fight Pro de Jiu-jitsu, competição que já faz parte do calendário de Pernambuco, com boas lutas em todas as categorias,  o mmabrazucas esteve os dois dias cobrindo o evento não economizando nas fotos, por isso vamos postando ao longo da semana, confira abaixo algumas imagens do evento.


O Grande Campeão Anderson Silva destrinchado

Por Anderson Barata

A expectativa estava muito grande para uma luta que deveria ser mais uma para o grande campeão se não fossem os comentários de grandes atletas, sendo a maioria americana, de que pela primeira vez, o Anderson Silva estaria prestes a perder seu reinado na categoria médio do UFC. O responsável disso tudo seria o americano Chris Weidman, invicto até então com 9 vitórias, com um forte jogo de chão e um wrestling agressivo de alto nível, exatamente a fraqueza do Spider Silva, não tão fraca assim, claro, faixa preta de jiu jitsu que tem em seu camping de treinamento Ramon Lemos, André Galvão, Rafael Feijão, Erick Silva, Bruno Frazzato e diversos outros faixas pretas tops. Pra quem não conhece esses nomes citados, com uma rápida busca na internet saberá quem são.

De uma maneira que muita gente que assistiu seu documentário Como Água (Like Water), lançado em 2011, não entendeu. Anderson Silva deixou claro que o tempo que ele se dedica para lutar é maior que o que gasta com sua família. Isso já o incomodava, basta ouvir a música de entrada para todas as suas lutas (ouça e veja a letra em inglês e sua tradução).

Não faz muito tempo que o Anderson Silva renovou seu contrato de 10 lutas com a organização. O Spider parecia não querer lutar tanto assim, o que seriam mais 5 anos lutando, se não houvesse nenhum adiamento de suas lutas devido a lesões.Um campeão do UFC tem por obrigação em contrato, de ir a diversos evento para divulgar a organização ou um evento.

Muitos acham que o Anderson Silva brinca na luta. Ele pode até brincar, mas se isso é brincadeira, ele também brinca em seus treinos. De fato isso não é brincadeira, isso é seu jogo, por suas inúmeras habilidades, algumas delas são a capacidade de absorção de pancadas e a velocidade nas esquivas. O Spider tem pleno domínio da luta em pé, já há 30 anos sendo praticadas, uma vez que começou sua prática aos 8 anos de idade onde passou pelo boxe chinês, Tae Kwon Do, Muay Thai, e por aí vai.

Anderson Silva além de treinar com os já citados acima da academia X-Gym do Rogério Camões e Josuel Distak, tem o Rodrigo Minotauro, Rodrigo Minotouro, Júnior Cigano e diversos outros que não dá pra citar todos aqui, mas todos da Team Nogueria.

Conclusão

Na semana da luta Anderson Silva vinha se mantendo diferente de como é costume e respondia todas as perguntas na boa nas conferências que fazia, agora praticando seu inglês, talvez por ter aberto recentemente sua própria academia (veja aqui) ou realmente mais relaxado, ou melhor, não tão focado como antes, monossílabo em suas respostas. Na pesagem na hora da encarada, encostaram até o rosto um no outro, o que parecia ser algo ainda mais provocante para desestabilizar mentalmente o Chris Weidman. Desestabilizar, talvez essa seja a palavra-chave da luta. Mas porque desestabilizar tanto mentalmente o super focado Weidman, que quase caía na teia do Aranha?

De saco cheio de ficar tanto tempo distante de seus filhos, sua esposa e outras pessoas importantes em sua vida, somando todos os fatos citados também acima, além de estar milionário, com diversos contratos com empresas como a Nike e Burger King, garoto-propaganda de marcas como Budweiser, Renault, Duracell, Vivo e algumas outras, sem contar com o fato de ter passado quase 2 anos sendo patrocinado também pelo Clube Corinthians, Anderson Silva tem um legado que ninguém apagaria se não o fato de ele ter aceitado grana para dar a vitória ao Chris Weidman. Isso passa na cabeça de qualquer um nem que seja por alguns segundos, mas campeão que é campeão não se venderia por dinheiro nenhum no mundo, ainda mais quando se tem dezenas de milhões em sua conta, não seriam outros milhões que apagariam sua história no esporte e tirariam o título de MITO, ÍDOLO, que o Spider tem para diversas crianças e adultos por todo o mundo.

Pois bem, foi para a luta com outro foco que não era somente de vencer, foi lá para fazer o mesmo que ele faz na academia, segundo lugar que ele mais gosta de estar pois o primeiro é sua casa. Pelo fato de não estar 100% focado na luta, Anderson Silva se sentiu muito a vontade, e isso custou caro quando encontrou o Chris Weidman numa confiança imensa, impulsionada pelas palavras de outros campeões e ex-campeões do UFC.

Ao final do primeiro round, o Spider já estava entrando na cabeça do Weidman. Quando todos acharam que o Anderson Silva acabaria com a luta no segundo round, um pouco antes de acabar o tempo de 1 minutos para iniciar o segundo round: “Vai lá e faz com seu soco uma merda de um buraco no peito dele!” quem disse isso foi Ray Longo, Corner e professor de Boxe do Chris Weidman. Falando rapidamente do Ray Longo, ele também é professor do Matt Serra, que chocou o mundo quando nocauteou o até então melhor peso por peso em 2007, Georges Saint-Pierre. Enquanto Anderson Silva tentava DESESTABILIZAR mentalmente seu adversário, Chris Weidman voltou com foco total e procurando sua distancia, foi soltando diversos socos, jabs, diretos, cruzados … Pois é, Weidman achou a distancia antes do Spider o conseguir DESESTABILIZAR.

Deu no que deu.

É fato que a revanche acontecerá se não no fim de 2013, no início do próximo ano. Renda boa para o UFC, Anderson Silva e Chris Weidman, todos ganharão dinheiro como andam especulando por aí nas diversas teorias das conspirações, o Spider certamente estará focado pois como um legítimo campeão saberá que não pode perder o foco, que foi o que fez com o Vitor Belfort.

Leia em inglês o que o Ray Longo disse ao Chris Weidman entre o round 1 e 2:

“After the first round, I say ‘listen man, you know it (the showboating) is all bulls**t,” he said. “Let’s just keep doing what we’re doing. If he wants to lose a fight like that, that was it. And I started telling him to punch a hole in his chest; stop chasing his head.”

Observem as mãos do Chris Weidman que entraram no Anderson Silva.
Fotos UFC/Getty Images

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Pernambuco - Terra dos Almofadinhas das Lutas?

Por Thiago Fernandes Vieira
Faixa-preta 1º Grau CBJJ-Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu
Faixa-preta 3º Grau CBKB-Confederação Brasileira de KickBoxing
Faixa-marrom CBJ-Confederação Brasileira de Judô

Após o fantástico resultado do Brasil no UFC 156, que dá supedâneo ao apelido que tem o UFC de BFC- Brazilian Fighting Championship, me pus a pensarem vários aspectos do cenário atual do hoje denominado MMA-Mixed Martial Arts no Estado de Pernambuco. Dentre os aspectos que foram objetos de maior profusão analítica, um em especial me fustigou o juízo: o estado penoso, miserável e vergonhoso no qual se encontra a comunidade do mundo das lutas no Estado de Pernambuco.

Os Gracie, privilegiados pelos segredos que lhes foram passados pelo rebelde do Kodokan Mitsuyo Maeda, iniciaram sua jornada pelo Pará. Maeda, no Brasil naturalizado como Otávio Maeda, foi um dos cascas-grossas do Kodokan. Literalmente recrutado pelo Jigoro Kano por seu talento, e assignado ao seu pupilo favorito, Tsunejiro Tomita, Maeda tornava-se cada vez mais completo. Tomita era famoso por ser o pupilo que recebia mais ensinamentos do grande Jigoro Kano, e Maeda, obviamente, era herdeiro nesse espólio. À época desses notáveis japoneses, tudo estava em mutação. Havia vários estilos entrelaçados nas conhecidas nomenclaturas Judo e Jujutsu. Se entre as estrelas do Jiu-Jitsu competição atual há vários estilos, inovações e adaptações, os Jujutsokas e Judokas da época tinham muito maior campo para inovar, adaptar e estilizar técnicas, mercê do estágio evolutivo inicial no qual se encontravam as artes marciais.

Pois bem.

Os Gracie fundaram o que hoje é conhecido como Brazilian Jiu-Jitsu, uma evolução, adaptação, estilização dos ensinamentos do Mitsuyo Maeda, e, de posse de tão secreta e eficiente arma, se puseram a propor desafios por todo o Brasil. Carlson Gracie, talvez o mais forte Gracie de todos no Vale-Tudo, dominava a cena nas primeiras décadas do surgimento do Vale-Tudo. Foi ele quem vingou seu Tio Hélio de uma derrota, contra o ex-aluno de seu tio e colossal Waldemar Santana.  Mas, como em tudo que sempre aconteceu na história de nossa pátria, havia um filho dessa terra primeira, ou melhor, filho de terra vizinha que nos adotou como terra mater, que roubou a cena. O Potiguar Euclides Pereira, criado em Pernambuco desde seus 8 anos de idade, fazia, há 50 anos, o que hoje se vê no UFC. O MMA já existia, e Euclides treinava várias modalidades. Havia, naquele tempo, grandes adversários inclusive no Nordeste, como era o caso do Paraibano Ivan Simão da Cunha, conhecido mundialmente como Ivan Gomes. Gomes treinou Judô com Kawamura, treinou boxe com Tatá, que havia chegado do RJ, e Jiu-Jitsu com Oscar Mouzinho "Biuce", pupilo de Pedro Hemetério.

O MMA era realidade.

O quarteto Waldemar Santana, Carlson Gracie, Ivan Gomes e Euclides Pereira era algo como os atuais Anderson Silva, Georges St. Pierre, Jon Jones e José Aldo.

Frise-se: naqueles tempos, o pau comia solto, sem divisões de peso.

Apesar de que hoje vemos vários Nordestinos de peso, como os Baianos e irmãos Nogueira, o Potiguar Renan Barão, os Cearenses Diego Brandão, Renée Forte e Rony Jason, inclusive parte destes já tendo conquistado o cinturão, nós Pernambucanos jamais tivemos alguém sequer perto deste feito. Temos os meus amigos da família Assunção, os irmãos Freddy, Júnior e Rapha, tendo este último alcançado, no máximo, um top 10 do UFC. No entanto, os meninos quase que apenas nasceram em Recife, tendo vivido sempre nos EUA. Temos meu colega de infância Rafaello Oliveira, o 'Trator', que superou as dificuldades da terrinha e fez seu caminho até o UFC. Infelizmente, Trator não chegou próximo ao título, e mais: teve que sair de Recife para morar nos EUA, em busca de melhores condições para evoluir.

O Brazilian Jiu-Jitsu só tomou grandes proporções em nossa terra primeira na era pós Royce Gracie & UFC. Foi naquele momento que o grande público conheceu a arte-suave. É verdade que antes já existiam alguns mestres, todos desconhecidos do grande público. O mestre Jurandir Moura, praticante de Jiu-Jitsu mais graduado da história do Estado de Pernambuco, já tinha academia há muito tempo. Havia também Jesiel Andrade e tantos outros ilustres mestres, mas o grande público simplesmente não sabia de suas existências. A difusão do Jiu-Jitsu ainda era precária. Apenas através da provade que o Jiu-Jitsu, sozinho, era capaz de vencer todas as outras artes marciais na porrada,é que os adeptos vieram aos milhares. Todo mundo queria ter aquela 'arma', que dava uma superioridade inigualável num confronto. Foi o professor Gutenberg Melo o mais concorrido professor da era pós-Royce, e certamente o maior difusor do Jiu-Jitsu moderno em Pernambuco no início dos anos 90. Faixa-preta direto do lendário Carlson, vindo do RJ, Guto fez escola.

Os guerreiros que sempre nasceram, e vão continuar a nascer em nosso povo, de pronto, aderiram ao esporte. Naquele tempo, um mero faixa-azul de Jiu-Jitsu já detinha poder incrível face aos praticantes de outras artes marciais. Bastou a notícia do Jiu-Jitsu se espalhar, e bastou assistirmos ao primeiro UFC que o vírus tomou conta de todos aqueles que, como eu, nasceram com a alma de lutador. Logo estava eu praticando na equipe do Mestre Boca, ex-aluno de Gutenberg, nesse tempo ainda faixa-roxa.

É, meus caros, no início era assim. Faixa-roxa era autoridade ! Esperávamos ansiosos as novas posições que vinham do RJ.

Em Pernambuco, nos primórdios do Jiu-Jitsu competição, havia algumas academias principais que sempre tinham atletas de destaque: Boca Jiu-Jitsu, a Kezen, a Gracie Barra, a dos irmãos Andrade (Junior e Jesiel), a Gutenberg Melo e a Nova União. As competições eram empolgantes, e todo mundo lutava junto. Era sabido por todos quem era melhor que quem naquele tempo, e havia algumas rivalidades. Ainda se via o espírito espartano, e tudo era feito com base na preparação de cada indivíduo para o combate. Havia sim vários atletas bons de Jiu-Jitsu competição, mas não era esse o foco principal, e sim a aplicabilidade do que estávamos aprendendo numa real situação de porrada. O Jiu-Jitsu nos conquistou como meio de prevalecer em um confronto físico, e não para campeonatos desportivos. Era exatamente isso que vendia o Jiu-Jitsu. Essa diferença abissal era nitidamente traduzida no respeito que tínhamos nas ruas. Qualquer lutador de Jiu-Jitsu já era considerado um casca-grossa.

Hoje, isso não existe mais.

Anos depois, todas as academias entraram em decadência, e, em meio à problemática das Federações de Jiu-Jitsu, que durou por muitos anos. Apenas a Gracie Barra manteve-se na mesma linha de progresso das grandes academias nacionais. Não é de se analisar, nesse texto, as razões para a supremacia da Gracie Barra. Tudo isso já foi discutido no passado, e minha briga com Zé Radiola e a FJJPE já foi devidamente publicada, debatida etc. com direito aos mil e um boatos e lendas. Ele até moveu 4 ações judiciais contra mim. Mas, claro, dentre as polêmicas, é de se reconhecer que há méritos por parte deles, muitos méritos. O próprio Zé Radiola já vem trabalhando fielmente para a Gracie Barra Jiu-Jitsu, marca presente no mundo inteiro, há muitos e muitos anos, com resultados expressivos dentro da equipe. As outras bandeiras importantes, como Alliance, Brasa (hoje CheckMat), Gama Filho &c. não existiam por aqui, ou existiam apenas 'representantes sem representatividade'. A Nova União, GFTeam (Kezen), DeLaRiva (Boca) e outras, até os dias atuais, já com o problema das federações sanado, possuem nível técnico manifestamente inferior ao da Gracie Barra. Enquanto as outras academias não tiverem um faixa-preta com pelo menos um título mundial na faixa-preta, permanentemente lecionando em seus dojos, a Gracie Barra reinará, vez que é uma equipe que já tem a fórmula do sucesso nas competições, e possui vários atletas constantemente competindo, sobretudo fazendo intercâmbio técnico com o que há de melhor no mundo.

Mas não é esse o cerne da questão, e, como já exposto, Jiu-Jitsu já era. E vou além: se vocês quiserem saber mais sobre o Jiu-Jitsu como arte e filosofia de vida, como doutrina, disciplina, formação de caráter etc. vocês não vão encontrar isso nas escolas de competição como a Gracie Barra, Alliance etc. Isso só existe em raras escolas, eu mesmo só conheço uma: a antiga Gracie Miami, atual Valente Brothers Jiu-Jitsu, dos filhos de Pedro Valente, que seguem militarmente e difundem o legado deixado pelo Grande Mestre Hélio Gracie. Lá não tem essa de competição, o foco é na eficiência do Jiu-Jitsu na formação do caráter, da disciplina, da auto-confiança, da auto-estima, e, ainda por cima, na prova de que a técnica preconizada pelo Grande Mestre Hélio não sucumbe aos atletas anabolizados e hiper-treinados para as competições de hoje em dia. Dia desses o filho do Rorion Gracie fez uma luta com ninguém menos do que André Galvão, que não conseguiu finalizá-lo. Mas obviamente essa filosofia de Jiu-Jitsu não muda nada no MMA, ou seja, na porrada não sobrevive sem o conhecimento de outras técnicas, como o striking, o jogo de clinch e o preparo físico de alto rendimento.

O que me vergasta o juízo, de forma cruel, é que hoje temos apenas atletas de artes-marciais. Não temos mais nenhum, repito, nenhum lutador de peso no cenário mundial. Temos um cenário onde vários garotos são colecionadores de medalhas. Vários campeões mundiais, panamericanos, brasileiros, , interplanetários, intergaláticos etc. de Jiu-Jitsu, e, por certo, nas outras modalidades também. Valedouro é, nesse momento, ressaltar que no Jiu-Jitsu ser campeão mundial é como ser campeão brasileiro, vez que 99% dos campeões mundiais da história são Brasileiros, e até hoje é muito raro de se ver um gringo nas cabeças. Salvo engano, em toda a história, só dois gringos foram campeões mundiais na preta, o BJ Penn e o Rafael Lovato. Não é um campeonato mundial como em outras modalidades, onde pessoas dos quatro cantos do planeta competem pelo título.

Há mais:

O título máximo do Jiu-Jitsu, muito à frente de qualquer outro, é o de campeão mundial faixa-preta adulto pela CBJJ. Títulos na master, Panamericanos, de outros mundiais, sem kimono, em outras faixas et cetera não chegam sequer perto do grau de dificuldade do mundial, onde as chaves são abarrotadas com as estrelas do esporte. Pernambuco só tem, em todos esses anos, dois, repito, dois campeões mundiais na faixa-preta, adulto, pela CBJJ: Bráulio Estima e Otávio Sousa. Vale mencionar que Otávio só atingiu esse feito no ano passado, ou seja, até 2012, só tínhamos 1 único campeão. É de se lastimar. Ambos os campeões, como não poderia deixar de ser, pertencem ao time da Gracie Barra-PE.

Agora o principal, o imo da questão: no MMA, viramos a terra dos almofadinhas, não de cascas-grossas. Só o público desinformado é que dá valor aos campeões de Jiu-Jitsu, achando que os vencedores são cascas-grossas em qualquer terreno. Essa informação é infantil, ultrapassada e equivocada. Um campeão de Jiu-Jitsu tem o mesmo valor que um campeão de Judô, Tae Kwon Do, Karate e outras artes, mas o grande público sequer sabe os nomes dos campeões de outras artes, porque ainda pensa que os campeões de Jiu-Jitsu são todos cascas-grossas.

Até o Rickson Gracie, famoso por sempre enaltecer de sobremaneira o poder do Jiu-Jitsu, reconheceu que hoje o Jiu-Jitsu não define luta de MMA. E mais: nas palavaras dele, o Jiu-Jitsu é apenas 30% do jogo. É aquela coisa: sem saber nada de Jiu-Jitsu, não adianta subir pra lutar, salvo atletas de outras artes de grappling como os Wrestlers, e os do Sambo. Por outro lado, sabendo apenas Jiu-Jitsu, a chance é zero. Pode ser campeão mundial de Jiu-Jitsu, no MMA vai beijar a lona.

O MMA é composto de 4 áreas fundamentais: o grappling, o striking, o clinch e o condicionamento físico. Se dermos ao Jiu-Jitsu a parcela de 25%, inteira, correspondente ao grappling, e somando essa parcela à 5%, que seria o percentual de utilidade do Jiu-Jitsu na ciência que é o jogo de clinch, então o Rickson tem razão.

A grande prova disso é o maior campeão de Jiu-Jitsu competitivo da história, Roger Gracie, que em seu primeiro adversário mais duro beijou a lona no primeiro soco que entrou. Com sangue de casca-grossa, mas sem preparo técnico pra porrada, foi humilde e parou sua carreira no Jiu-Jitsu competitivo, focando no MMA. Juntou-se ao time mais forte do mundo em minha opinião, o BlackHouse, e foi 'pro final da fila'. O camarada é humilde, e não mediu esforços nem escolheu adversários. Já outros lutadores de Jiu-Jitsu fazem vergonha ao valorizarem de sobremaneira suas carreiras vitoriosas no Jiu-Jitsu competição, fazendo muito 'mi-mi-mi' para estrear no MMA, na maioria das vezes em eventos de segunda ou terceira linha. Quem quer mesmo vai pro final da fila no UFC, e mete a cara. Esse é o real espírito de luta que vendeu o Jiu-Jitsu pro mundo. Foi assim que surgiram nomes que honram o Jiu-Jitsu como Demian Maia, Thales Leites, Minotauro, Minotouro e José Aldo.

As razões para nosso fracasso são diversas, e merecem tantas outras linhas. A principal delas é a má informação. É a mania que o Pernambucano tem de acreditar nas informações endêmicas, bairristas, que são características sociais da nossa cultura. Os ídolos locais só impressionam aos menos esclarecidos. Já quis, de própria iniciativa, econtando apenas com o próprio bolso, montar um CT de nível mundial, trazer uma bandeira importante para cá, fazer campeonato de nível internacional &c.,mas, ao final de cada conta, tudo parecia tão inviável que nem o amor pelo mundo das lutas era suficiente para tamanho desperdício. Fui convidado por Paulo Zorello a abrir a Federação Pernambucana de KickBoxing, costurei a abertura da Federação Pernambucana de MMA filiada ao grupo que o UFC destacou para fundar uma federação, e por aí vai...Sim, desperdício. É que, além do desperdício financeiro, o material humano em Recife encontra-se mal-orientado, e muitos talentos preferem ficar na academia 'x', ou 'y' por razões de ego conjunto, já que o público local aplaude seus talentos sem saber que, num contexto mais amplo, são muito pequenos.

São formados os grupelhos de supostos cascas-grossas, quando na verdade apenas alguns mais humildes, e aguerridos lutadores estão dispostos ao combate. Uns almejam aquela micharia que lhes é paga para lutar (entre 500 e 1500 reais aos iniciantes, pra levar murro na cara sem a menor assistência médica), e outros visam possivelmente fazer carreira no esporte. Eu iria perder meu dinheiro, meu tempo, minha paciência e, no final, ainda iria acumular mais desafetos, vez que os insatisfeitos com o perfeccionismo iriam atribuir tudo ao 'poder do dinheiro'.

Exceto os humildes operários das lutas, que são os que ainda sobem nos cages Pernambucanos, os demais "lutadores" que existem nas academias são meros atletas do Jiu-Jitsu, ou playboys tentando saborear um pouco do sentimento que um casca-grossa de verdade sente.

Um guerreiro, como o próprio nome sugere, vai pra guerra em qualquer território, com qualquer arma. Se o inimigo tiver armas mais fortes, algo há de ser feito para superá-lo. Conheço muita gente que nunca vestiu um kimono em Pernambuco, mas que Anderson Silva certamente estaria em apuros caso os enfrentasse. Pernambuco e Alagoas são os estados do Brasil que considero mais preservados pelos filhos da terra, e são repletos de guerreiros. Nesses estados não tem cacique de fora. Esse espírito inquebrantável, robusto e destemido do Nordestino, se aliado ao que há de melhor em termos de técnica, orientação econdições para treino, não encontrará adversários no planeta.

Não há um senso profissional acerca do MMA instalado no Estado, e tudo caminha a passos de camelo. Desisti, de uma vez por todas, de contribuir financeiramente ou politicamente, seja como for. Aliás, minto: minha única contribuição é a presença constante nos eventos locais, exceto os que são inassistíveis, e possíveis contribuições como juiz. Da última vez que fui juiz, vi um absurdo ser feito na luta de Marquinhos da 99, que diga-se de passagem tem meu respeito, pois é o ÚNICO líder de equipe grande de Jiu-Jitsu em Pernambuco que sai na porrada, ganhando ou perdendo. É sabido que um dia vamos chegar lá, tarde ou muito tarde. Mas aos amantes, atletas, professores, lutadores etc. de minha geração só a resignação resta como opção.

Saudações aos nossos guerreiros de verdade.

Thiago Fernandes Vieira


Muay Thai no Camboja tem Buakaw e brasileiros [vídeos]

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O Muay Thai brasileiro continua sua saga pela Ásia. Cada vez mais nakmuays brazucas estão presentes nos maiores eventos, e no Khmer Fighter não poderia ter sido diferente. O show, realizado agora dia 27 de março, teve a presença ilustre da super estrela Buakaw Por Pramuk, que fez a luta principal contra o australiano Haree Avison. Também estiveram presentes os intrépidos brasileiros Paulo "Canela", de Sergipe, e Jackson de Souza, de São Paulo.

Confiram as lutas dos nossos compatriotas e do astro Buakaw!

Fiquem ligados no MMA Brazucas também para as últimas novidades do Muay Thai!


Morre Ramon Dekkers: o maior ícone do Muay Thai Kickboxing no ocidente

 

O dia 27 de fevereiro de 2013 ficará marcado para sempre na história do esporte de contato por um trágico acontecimento. Faleceu Ramon Dekkers, em Breda, sua cidade natal, na Holanda, durante um treinamento em sua bicicleta. Segundo testemunhas, passou mal, desmaiou, e mesmo socorrido por populares antes da ambulância chegar, nunca mais retornou à consciência, apesar  do auxílio posterior dos paramédicos. Uma tragédia. Especula-se que tenha sido um mal súbito, como ataque do coração.

Dekkers era conhecido pelo apelido de "O Diamente", por sua preciosidade: são tão raros os grandes campeões. Também era conhecido como "A turbina infernal", pelo fluxo interminável de golpes desferidos em altíssima velocidade, num misto de precisão e fúria, algo realmente assombroso. Com 186 vitórias, sendo 95 delas por nocaute, e 33 derrotas, além de dois empates, Dekkers não pode ser analisado apenas por números, mesmo excelentes, em 20 anos de uma brilhante carreira. Nem tudo na vida de um lutador cabe na frieza dos resultados. Mesmo nas poucas derrotas numa jornada imensa, frente à elite do esporte mundial, sempre mostrou fulgurante paixão em todos os combates, jamais lutando por lutar, jamais rendendo-se mesmo frente a adversário mais poderosos, entrando em ação muitas vezes com lesões graves, como ligamentos danificados e outras injúrias importantes. Dekkers era um lutador que odiava perder, e vendeu sempre muito caro suas poucas derrotas.

Início

Ramon começou treinando artes marciais em Breda aos doze anos de idade, tendo estudado Boxe e Judô. Aos dezesseis anos, o franzino rapaz começou a treinar com o professor Cor Hammers, que possuia uma academia. Em poucos treinos decidiu que o Muay Thai era o que estava procurando. Com poucos meses de treino, começou a lutar, e já estreou com vitória por nocaute, ainda com dezesseis anos. Com apenas 18 anos, em 1987, lutou pelo título de Campeão Holandês em sua categoria de peso e venceu. Inconformado pela derrota, o adversário exigiu revanche, sendo nocauteado nesta oportunidade. Aí já vemos o espírito guerreiro desta lenda, que deve ter pensado com seus botões: venci uma vez, venço-o novamente. Em 1988, ganhou  o primeiro título europeu, pelo peso pena. Daí em diante começou uma carreira intercontinental, nunca escolhendo adversários.

Tailândia

Foi o primeiro lutador estrangeiro a ganhar o título de lutador do ano no berço do Muay Thai, a Tailândia. Seu sucesso foi na década de 1990, tida por muitos como o auge da popularidade do esporte. Lutou contra os grandes nomes tailandeses no maior estádio, o Lumpinee. Participou do importantíssimo evento Aniversário do Rei, feito em homenagem à realeza tailandesa, onde somente os melhores e mais conceituados lutadores são selecionados a lutarem em presença do Rei. Seu nocaute contra Coban, no primeiro assalto, foi uma verdadeira mudança de paradigma para os atletas de todo o mundo, pois era praticamente impossível nocautear os lutadores tailandeses. E Dekkers venceu no primeiro round, abalando as estruturas do esporte. Suas lutas memoráveis contra Superlek, Sakmongkol, Orono, Jomhod, Namkabuan –  verdadeiras lendas do Muay Thai na Tailândia – são até hoje relembradas.

Outros eventos

K-1, Shootboxing, e várias outras promoções de imenso prestígio tiveram sua presença, sempre em lutas sensacionais. Perto de sua aposentadoria, venceu Duane "Bang" Ludwig numa superluta, no K-1 em 2005. Detalhe, poucos dias antes do evento, rompeu um ligamento do ombro, e mesmo assim derrubou o americano em todo round, vencendo por pontos um adversário quase uma década mais novo.

Recife

Dekkers esteve em Recife em abril de 2012 para Seminário, onde mais de 150 pessoas de todo o Nordeste vieram aprender ao vivo seus golpes mais famosos.

Legado

É evidente que o desporto, assim como o mundo, é feito por pessoas extraordinárias. Sua estatura fez valer aquele ditado que diz que os melhores perfumes são contidos nos menores frascos, assim como os venenos mais mortais. O modo como lutava influenciou Kickboxers notáveis como Stephan Leko, Ghokan Saki, Alistair Overeem, Semmy Schilt, Albert Kraus, Andy Souwer e Joerie Mes. Como iremos contar quantos entusiastas e praticantes – e desses lutadores que viraram profissionais – foram arrebatados conhecendo sua trajetória, suas lutas, seja ao vivo como pela TV, fitas VHS, DVD, e agora internet? É um impacto realmente gigantesco, e a dor mostrada nos principais fóruns de lutas no mundo, bem como nas maiores publicações reflete sua importância monumental para o mundo da luta como um todo. Resta-nos os inúmeros vídeos e lutas nos Youtube da vida, e seu exemplo como lutador que não parecia conhecer medo ou desanimação mesmo frente aos piores adversários. Embora tenha ido cedo demais, seu exemplo e inspiração ainda continuarão pelas gerações, mesmo em quem não pratique ou admire luta, pois sua vida foi a encarnação do espírito indomável do ser humano. Motivação em forma de gente, com olhos flamejantes, espelhos de uma alma irredutível.

Nunca serás esquecido, afinal os diamantes são eternos. Descanse em paz inigualável Ramon Dekkers.


Pernambucano nocauteia em estréia do "Forja de Campeões" em SP

O boxer pernambucano Jayme Danko segue vencendo no Estado de São Paulo. A vítima agora foi Rodrigo V. Souza (Iron Xtreme), que sofreu nocaute técnico no segundo round, após uma saraivada de socos. O combate foi válido pelo torneio mais tradicional de amadores de América do Sul, o mitológico "Forja de Campeões", que já vai na 72ª edição. O combate aconteceu na estréia da categoria super pesado na terceira rodada do torneio, realizada na Academia Runner Clube de Sorocaba, no último sábado, 16 de fevereiro.

A famosa "Forja"

O torneio é tradicionalíssimo, e espera-se um futuro promissor para quem for bem na "Forja de Campeões". O Boxe anda sem investimentos no Brasil, e mesmo assim tivemos três medalhas olímpicas em Londres 2012, com Esquiva e Yamaguchi Falcão, e  Adriana Araújo. Porém, o Boxe segue a todo vapor na América do Norte, Europa e Australia, e continua com grande popularidade, alcançando cifras astronômicas nos grandes títulos, muito superiores ainda mesmo frente aos mais famosos lutadores do UFC.

Éder Jofre (72v-2d-4e-50KO), nosso eterno campeão, mais conhecido como "Galinho de Ouro", teve sua estréia neste evento em 1953. Servílio de Oliveira, nossa primeira medalha olímpica no Boxe, em 1968, foi campeão antes, em 1966, da Forja. O próprio Adilson "Maguila" Rodrigues (77v-7d-1e-61KO) foi campeão do torneio em 1980.

Resultados desta terceira rodada:

1 - 69kg Diego V. Saraiva (Nacional Jundiaí) 0 X 5 Alexsandro A. Silva (AGB/Boxe/Top)
2 - 75kg Gabriel J Silva (AGB/Boxetop) X RCS 1'48'' 2ºR Matheus Andrioli (PM Rio Claro)
3 - 75kg Roberto Barbosa (AGB/ Boxetop) 2 X 3 Luciano Santos (EB. S.J Campos)
4 - 81kg Alan Gomes (Impacto Academia) 0 X 5 Reinaldo Santiago (Leão de Judá/Itaqua)
5 - 81kg Thiago Santos (Orion Boxe) X RSC 1'58" 2ºR Felipe Lopes (Centro Olímpico)
6 - +91kg Thiago D Pereira (CA Campinas) ABD 1' 1ºR X Matheus Oliveira (Força Jovem/Santos)
7 - +91kg Jaime Danko (Eq. Juan Dias) RSC 1'12" 2ºR X Rodrigo V. Souza (Iron Xtreme)
8 - +91kg Ricardo Garone (Combat Club) 0 X 5 Deniver Ribeiro (Orion Boxe)
9 - +91kg Jhonatas Gonçalves (AGB/Boxetop) X ABD 1'25" 1ºR Bruno Capelozza (Corinthians)
10 - 56 Kg EXTRA CADETE - Mateus Camargo (Sorocaba) 0 X 5 Gabriel Andrioli (Rio Claro)

A próxima rodada será dia 23 de fevereiro.

Histórico do atleta

Após mudar-se para São Paulo, depois de rodar por algumas academias, foi acolhido na ID Academia do Boxe, capetaneada pelo ex-boxeador argentino Juan Antonio Diaz (25v-8d-1e-19KO), mais conhecido como "Juanito", radicado em São Paulo capital. Diaz tem vasto currículo pugilístico, tendo inclusive combatido com nosso "Maguila".


Quanto mais velho melhor

Por Gustavo Bione

No Jiu-Jitsu, as passagens de guarda, raspagens, técnicas de defesa e finalizações são constantemente adaptadas para que se moldem ao biotipo de cada indivíduo. Nas aulas que ministra em Tel Aviv, o faixa-preta Iaacov Ramalho transmite essa ideia em duas frases: “O Jiu-Jitsu é o líquido, o recipiente somos nós. É o líquido que se molda ao recipiente, e não o contrário”.

A arte suave é, assim, uma cultura de mão dupla. O Jiu-Jitsu não apenas promove o melhoramento físico e mental do praticante, à medida que atenua suas limitações, como também promove o seu próprio aprimoramento, à medida que leva em conta as limitações de cada indivíduo.

Conforme envelhecemos, força, explosão, resistência e a própria flexibilidade, característica típica do praticante de Jiu-Jitsu, diminuem significativamente. O fato de a técnica precisar compensar a perda natural desses atributos físicos enfatiza os alicerces da arte: economia de energia e adaptabilidade.

Desse ponto de vista, manter-se em atividade dentro dos tatames à medida que a idade avança, ou mesmo começar a treinar já em idade avançada, tem tanta importância para o aprimoramento do Jiu-Jitsu quanto os superatletas que arrastam os Mundiais, ADCCs e Pans.

A prática do Jiu-Jitsu é benéfica em todos os estágios da vida, inclusive na velhice, onde, dentre outras coisas, é capaz de promover equilíbrio motor, autoconfiança e interação social. É claro que, com os anos, precisamos aumentar os cuidados ao realizar qualquer atividade e, nesse caso não poderia ser diferente. Mas, o simples fato de o indivíduo buscar ajuda de profissionais e realizar exames que digam se está apto ou não a começar, já representa um grande passo na direção do que talvez seja o maior benefício dessa prática: o autoconhecimento.

Converse com seu professor, troque ideias com seus alunos. O desenvolvimento do Jiu-Jitsu depende das particularidades individuais e das visões pessoais de cada um.